23 junho, 2014

Mudanças..


"As mulheres gostam de pensar que podem mudar os homens e, às vezes, até conseguem, mas essas mudanças só resultam se, de facto, os homens quiserem mudar; porque se o tentarem fazer só para agradar, tais alterações resultam em efeito «boomerang»: mais tarde ou mais cedo, eles regressam à sua verdadeira essência. E quanto mais tarde, pior. "

ainda assim,

"É inútil pensar que podemos viver uma relação amorosa sem criar alguma dependência; o corpo, o espírito e o coração habituam-se muito depressa ao prazer repetido dos pequenos gestos. Precisamos todos tanto de amor como o planeta precisa do Sol. " (Margarida Rebelo Pinto)

P.S: Eu nunca te vou mudar, mas nunca se sabe,
se não serás tu o meu sol .

Ás vezes

"Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem para dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer.


E mesmo que a voz trema por dentro, há que fazê-la sair firme e serena, e mesmo que se oiça o coração bater desordeiramente fora do peito é preciso domá-lo, acalmá-lo, ordenar-lhe que bata mais devagar e faça menos alarido, e esperar, esperar que ele obedeça, que se esqueça, apagar-lhe a memória, o desejo, a saudade, a vontade.


Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer: aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma e prepará-la para um futuro incerto, acreditar que esse futuro é bom e afinal já está perto, apertar as mãos uma contra a outra e rezar a um Deus qualquer que nos dê força e serenidade. Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.


Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito. Somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.


Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo a baixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda-fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo.


Às vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir nem dar, não aceitar sem participar, sair pela porta da frente sem a fechar, pedir silêncio, paz e sossego, sem dor, sem tristeza e sem medo de partir. E partir para outro mundo, para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar.


Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar, o sol, o vento, o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então esquecer."

Margarida Rebelo Pinto


Não sabes?! Não fales!

Fonte: http://shiuuuu.blogspot.pt/
Depois de ver a capacidade que as pessoas têm de conseguir falar sem estar ou ter estado na situação acho incrível a liberdade que acham que têm para julgar tudo e todos. Quanto a isso/isto só tenho a dizer : É realmente muito fácil vir a um blog, ver uma imagem e falar-se como se soubessem o que é estar nesse papel sem nunca terem sonhado que provavelmente estiveram já na mesma situação. É fácil vir para aqui com moralismos para todos e mais alguns. Até posso concordar com a maioria dos comentários que li no blog onde estava esta imagem, mas desde já digo, se não tiveram na situação NÃO podem falar. É absolutamente fácil dizer que se odeia traições e que é a pior coisa do mundo e que isto e aquilo... mas porquê? Porque secalhar já o sentiram na pele e não gostaram. E não gostaram porquê? Porque na altura despertou coisas em vocês, que secalhar nem sabiam que eram capazes de sentir (que muitas vezes podem ser bem piores que qualquer traição). Óbvio que esta situação é péssima, e será reprovável pela maior parte das pessoas que tenham pouco de bom senso e respeito mínimo pelos outros. Mas, um facto é que existem sentimentos que nascem sem nos dar-mos conta e passam a ser mais fortes do que qualquer limite nosso. Deixam de ser controláveis e as coisas acontecem. Simplesmente acontecem. Não de ânimo leve, e só porque sim, mas porque sentimentos cresceram e todas as pessoas sabem que qualquer sentimento consegue ser mais forte que a razão em situações limite. O ser "a outra " é relativo, as pessoas em causa sabem a relação que têm e até onde podem ir...todas as coisas que acontecem a partir daí são situações limite incontroláveis por sentimentos que apareceram e decidiram libertar-se muito contra nossa vontade e alimentar-se daquele momento.
Sim, conseguimos ser traídos pelo nosso pensamento e pelo nosso coração. Lindo, não aceitamos traições a outros e conseguimos trair-nos a nós próprios. Porque é que disto ninguém fala? Porque é fraco. Porque é difícil sentirmo-nos derrubados por nós mesmos e fazermos coisas que nunca aprovaríamos. E sabem que mais, já TODOS traíram, porque a traição não é só uma coisa física, até com um simples pensamento podemos estar a trair. Porque é que ninguém fala nisto, mesmo sabendo que é um facto?
Culpa nesta situação? é dele? é dela? eu sempre ouvi "a culpa nunca morre solteira", a culpa é dele por não tomar decisões, é dele por não decidir o que quer, é dele por iludir uma e enganar outra, mas também é muito dela por não conseguir controlar os impulsos e pensar no que está bem ou mal em situações de limite. A culpa é dos dois porque despertaram um no outro sentimentos que não eram supostos, mas que simultaneamente não podem ser ignorados, pelo valor que têm, mas também não deviam ser vividos pelas coisas que essa vivência implica. E não, se ela o conhece e sabe da existência da possível namorada, não está a espera que ele a deixe para ficar com ela. Pode conseguir ser feliz assim se tal como disseram "souber impor limites e não ter ilusões" , se por detrás de qualquer envolvimento reprovável existir uma amizade que tem que superar tudo e não pode sair magoada por nada que seja exterior e ela. É mesmo fácil ir para um blog e perder cinco minutos do nosso tempo e falar. Sabendo ou não das coisas. Mas antes de o fazerem, passem a olhar um pouco para os prós e contras, metam-se nas situações . Ninguém é perfeito. Qualquer um de nós em situações limite, em situações mais fortes que nós pode fazer aquilo que acha extremamente reprovável que os outros façam. É fácil dizer: eu odeio trair, até ao dia em que nos vemos no papel de traidores e deixamos de poder julgar seja quem for. Não é certo estas situações acontecerem, mas também não podem ser considerados erros, se ambos sentirem o mesmo e houver algum tipo de sentimento verdadeiro e não se for só um "objecto de uso limitado" como disseram. E eu falo...falo, depois de ter passado por algo assim.