24 agosto, 2011

Two words

"Now it's too late for you and your white horse to come around.."
Se tivesse que te dizer as duas últimas palavras eram sem dúvida : obrigado e adeus. Obrigado pela vontade de viver que me devolves-te, pelas coisas todas que me prendiam lá atrás e tu fizes-te com que eu as deixa-se lá bem guardadas num sítiu bem longínquo que nem eu sei bem ao certo, de maneira que jamais as voltarei a poder ir busccar. Isso, eu sei que tenho que te agradecer seja de que modo for. Ainda mais os dias em que me fizes-te companhia a última da hora, os que te preocupas-te sem razão e todos aqueles que me aconchegas-te no teu colo e no calor do teu corpo só para me confortar e garantir que estarias ali para toda a eternidade e mais alguma. Obrigado por me dares uma vida e uma razão para viver. Adeus, não só por nós mas essencialmente por mim. É egoísta ? Que seja, pouco me importa tendo em conta que muito menos te importa a ti, aquilo que eu sinto aqui e agora. Imaginar a ideia de uma pequena aproximação vossa que seja, dá-me arrepios e um mau estar péssimo, tão impossível de descrever que a minha frase acaba aqui. Vai embora agora, vai de vez por favor. Fica com o amor da tua vida e deixa-me viver o meu, por muito longe que ele esteja agora. Deixa-me ser aquilo que me ensinas-te a ser, mas desta vez sem ti.

20 agosto, 2011

Music is my boyfriend


Se poder de facto escolher a pessoa que quero a meu lado, quero incondicionalmente alguém como tu na minha vida. É contigo que acordo todas as manhãs e passo os meus dias inteiros, acabando por adormecer nos tons da tua melodia que não é mais que a tua maneira de respirar. És tu que encontro do outro lado da porta naquela sala enorme onde tenho que passar as primeiras quatro horas do meu dia. Foi inteira e exclusivamente contigo que já partilhei lágrimas e sorrisos. É com o teu som a pairar nas dentro das minhas quatro paredes que tomo desde as mais importantes às mais simples decisões. É o teu som que me abraça e me acalma dia após dia. É através de ti que vão passando e tocando em mim de todas as maneiras e mais algumas, as palavras que esperava ouvir da boca de alguém. Foi ao som dos mais diferentes ritmos que já partilhei os melhores momentos, com tantos e tantos outros. É a ti que associo milhares e milhares de acontecimentos, cada um com a sua história, cada um com o seu encanto. És na maior parte das vezes tu que me fazes lembrar o que quero esquecer. És tu que me acompanhas nas noites de insónias e nas tardes de tédio. Que me alegras os dias tristes e me consegues deprimir inesperadamente nos dias bons. És tu que enches a casa vazia e me fazes a companhia necessária, nos momentos mais preciosos. Desde as mais rápidas ás mais lentas, as melódicas e as barulhentas, as perfeitas e as que me tiram do sério, as que ponho a tocar mil vezes e as que não consigo ouvir, és tu que estás comigo incondicionalmente, e mudando todos os dias, continuas sempre a mesma e nunca me abandonas. Não te vejo, não te toco, mas sinto-te em cada esquina. Quero um alguém assim. Quero conforto e compreensão, palavras doces e amargas, companhia e respeito. Quero que só se lembre que me ama e me inspire a cada dia. Quero acordar com esse alguém de manhã e tê-lo do outro lado da porta a qualquer hora do dia ou da noite, da mesma maneira que tu estás. Que me saiba agradar com um simples toque como tu fazes com um simples tom. Quero viver momentos com esse alguém e não recordá-los só porque sim. Quero alguém como tu, minha música. Enquanto não chega, tenho-te a ti !

19 agosto, 2011

And if I'm wrong?...

Porque é que não vais de uma vez por todas? Sempre vais, levas mais um bocadinho de mim. Sempre que te afasto, levas-me tudo. Passei dias e dias a teu lado como se o mundo fosse acabar de um momento para o outro. Se isso de facto acontecesse, eu tenho certeza que ele me engoliria também, mas eu ia feliz. O mundo não acabou mas o buraco gigante debaixo dos meus pés vai-me engolindo sempre que me escapas mais um bocadinho, por muito perto que estejas. Quero-te tão longe e tão perto ao mesmo tempo. Se estás não podemos, se vais eu quero.  Funcionas na minha vida como um furação que me derruba, com a velocidade desmedida dos teus impulsos. Como o calor de verão que me vem aquecer nas noites de Inverno. Como o silêncio ensurdecedor que me aconchega com cada silaba não divulgada, como se dois enormes braços se tratasse. Vives em mim como eu no mundo. Tornaste-te no meu mundo - ou pelo pelo menos, numa parte significativa dele. Só te detesto por me fazeres gostar tanto de ti e apaixonar-me mais a cada dia. Ninguém disse que ia ser fácil, mas esqueceram-se de me dizer que seria tão difícil. Passou um ano de momentos partilhados por nós, de manhãs tardes e noites passadas das mais variadas maneiras. Passaram dias carregados das mais belas coisas e outros tantos carregados das piores. Fizeste-me chorar de tanto rir e chorar de tanto te querer e não te ter, tendo-te ao mesmo tempo. Contigo esqueci o certo e o errado passando a existir o: viver tudo de todas as maneiras. . Fizeste-me conhecer a felicidade de perto e tratá-la por tu, mas ainda assim fizeste-me não querer ouvir falar nela pelo peso das lágrimas que junto com ela vinham sorrateiramente para atacarem que nem lobos atacam suas presas. Deixaste-me acreditar em ilusões e fizeste de muitas ilusões a realidade. Deste-me um copo do teu amor mais puro e uma garrafa do teu maior veneno. Fizeste-me renascer e mandaste-me de novo para as cinzas. Mas e então, o amor e espécies derivadas dele mesmo são isso, rosas cheias de espinhos e campos minados que nos consomem e nos voltam a reconstruir com o que de têm de melhor. Cada melhor desses, vale por mil piores que possam ter existido anteriormente. Cada sorriso lançado inconscientemente a teu lado vale por cada lágrima sentida que já correu, por cada dia de incerteza. Ainda assim, as forças não duram sempre e as minhas estão cada vez mais em baixo. A tua energia já não recarrega as minhas baterias. E o teu amor  já não chega para alimentar o meu. Hoje quero que vás mais do que nunca, não por mim, mas por nós. Mas em simultâneo não tenho coragem para te deixar ir, tudo vai ser em vão se assim for, desde cada pecado perdido no tempo a cada tempo perdido no pecado, desde cada momento realizado neste mundo e cada mundo realizado naquele momento. Já construímos tanto, não consigo acabar com tudo e muito menos deixar a meio a melhor de todas as obras. O fácil deixaria-me ter-te neste preciso instante, o difícil quer que eu te deseje mais e mais.  És o tudo do nada e o nada do tudo. Quando te olho nos olhos, quando me abraças como se não houvesse amanhã, quando me tocas com a delicadeza de um bocado de seda , esqueço-me dos impedimentos e perco-me em ti. Perco-me no calor da nossa paixão e entrego-me de braços aberto ao que menos devia querer prender em mim. Eu quero mas não consigo deixar-te, o desejo de te ter consome o mais ínfimo do meu ser .

...I don't want to lose you forever ! 

16 junho, 2011

Pensamento do dia de hoje !


"O riso vai ser sempre a melhor cura. O silêncio vai ser sempre a melhor vingança e o amor vai ser sempre tudo aquilo que tu precisas."

15 junho, 2011

Um problema sem problema, resolve-se à chapada !


Será um problema? Se o for, qual será? Sabê-lo é tão incerto como sentar-me numa tarde qualquer à espera que apareças por aqui. É um problema meu e não um problema nosso. Porque o nosso morreu quando este nasceu, juntamente como nosso todo. O nosso nós, passou a meu "eu" e o teu "eu" , unidos em separado. Os nossos dedos já não encaixam perfeitamente quando damos as mãos, os nossos olhos cruzam-se mas o brilho passou a uma escuridão medonha. O teu silêncio já não nada diz. Pelo menos nada do que eu já estava habituada a ouvir. O teu toque já não me arrepia e o meu corpo já não quer o teu - É mentira. Tão mentira como o próprio facto de tu ires. Tu não foste. Apenas não estás mais aqui da mesma maneira. E isso quebrou tudo,  tendo em conta a sensibilidade de cristal de toda a situação.  É um problema sim. Mas não tem problema. Podes ir, eu fico. E fico bem. Fico em conflito comigo, ando à chapada comigo e entendo-me comigo. Trato de tudo sozinha. Vai e não venhas de novo dar-me mais um toque doce, que me prenda a ti mais uma vez por tempo indeterminado como fazes sempre . Os meus neurónios estão aos murros um ao outro pelo tempo que perderam ocupados com a tua habitual habitação diária neles. Os meus olhos estão negros de tantos arranhões de cada lágrima que caí e deixa marcas profundas no seu caminho. O meu rosto deixou de ser rosado e passou a vermelho vivo das chapadas que dei quando a minha imagem reflectida no espelho deu lugar à tua. Os meus pulmões não têm força para realizar o trabalho que lhes compete e o meu coração levou o pontapé final. Parou. E assim vai continuar. Vamos acabar com este todo que construímos indiferentes ao mundo, aos valores que ele carrega e que nós devíamos respeitar. Vamos acabar com as manhãs de palavras soltas, as tardes de beijos perdidos e as noites de paixão ardente. Vamos acabar com este mundo, com o nosso mundo. Se tiveres que ficar vamos começar de novo, tocar de novo o zero e subir lentamente cada um dos degraus que nos estão destinados. Porque assim, assim eu não aguento. Assim, eu resolvo tudo à chapada comigo, para arranjar uma nova dor que apague a deixada por ti sem dó nem piedade. Que apague, as por ti esquecidas, juras e promessas dos momentos que eu guardei para sempre.

P.s: Please go, because if you come, I shoot you!
(Texto para : Fábrica de Letras)

03 junho, 2011

Uma hora e dez minutos

«Sometimes people don’t want to hear the truth because they don’t want their illusions destroyed.»
Se quiseres vir, vem !
Se quiseres beijar-me, beija!
Mas apenas, se for a minha imagem que se espelhe diante dos teus olhos!
Se me quiseres abraçar, agarra-me para nunca mais me deixar !
Se me quiseres olhar nos olhos e eu não o quiser,
lança-me a tua mão em direcção à minha face  e levanta-me a cabeça!
Se me quiseres pertencer, fá-lo com paixão !
Se quiseres dizer, diz !
Se preferires calar, cala !
Mas se quiseres ir, por favor não vás.
Não to vai dizer, mas...
Fica enquanto não fores.
Pois,será sempre tempo de partires!
Vou sempre querer mais do que podes dar-me, mas não vou mostrar-to.
Vou ensurdecer o silêncio com as palavras que te quero dizer.
Vou sentir borboletas na barriga a cada segundo ao teu lado, mas não te vou deixar perceber.
O meu coração vai bater mais forte, mas não vais poder sentir.
O meu olhar vai penetrar o teu, mas nunca vai entregar-te o que é meu.
Vou inventar palavras para descrever o que é nosso.
Vou seguir ao ritmo do teu compasso,
 aproveitar cada momento como se fosse sempre o último passo.
Vou querer tanto ou mais que tu, não te vou mentir.
Vou amorar-te e tu vais saber.
Vais querer-me por muito que não me possas ter !
Até hoje, até amanhã, até nunca.
Não por mim, não por ti. Por nós.
Amoro-te !

26 maio, 2011

Almost lover

"I’ll try anything once, twice if I like it, three times to make sure."
Obrigado por me obrigares a sonhar acordada, no instante seguinte a eu ter aberto os meus lindos olhos, depois de um sono profundo. Nunca pensei em príncipes encantados, sapatos de cristal e abóboras que se transformam em carruagem ou vice-versa depois das doze badaladas. Nunca pensei no príncipe que me ia pedir para dançar depois de se ajoelhar aos meus pés. Nunca esperei grandes romantismos, verdade seja dita. Nunca pensei no casamento de sonho, nem no sítio para lua de mel. Hoje, fizeste-me acordar e desejar mais que o mundo. Fizeste-me procurar as palavras mais cuidadosas e levemente pesadas que traduzissem aquilo que te queria dizer. Acredita que sem quereres fizeste-me querer tudo, tudo e mais alguma coisa. Permitiste-me em segundos, criar o cenário onde quero viver uma vida. Não quero o príncipe, mas quero o sapo com mais qualidades do que qualquer entidade real. Quero fugir com ele para longe, bem longe daqui. só nós. Quero adormecer e acordar nos seus braços, com um sorriso no rosto e uma rosa ao lado da almofada. Quero levantar-me e pôr a água a correr para encher a banheira onde os nossos corpos se vão encontrar pela manhã e onde os teus lábios vão percorrer meu corpo e queimando-me com o calor da paixão que alimentas a cada dia.Vamos ter as velas perfumadas em nosso redor e os olhos do silêncio postos em nós. Só no amor se vai fazer ouvir, mas também este sem qualquer ruído. Quero sair daqui, ajudar-te a escolher a tua melhor roupa, para me acompanhares no pequeno-almoço elaborado que está em cima da mesa há nossa espera. Com a tua camisola vestida, vou encher a tua chávena de café, vamos beber os dois dela, trincar a mesma torrada ou comer do mesmo prato ou taça de cereais. Vou dar-te o comer a boca e tu farás o mesmo. Vou falhar o alvo propositadamente e vou sujar-te para ter o gozo de te limpar com um beijo. Vamos rir como duas crianças inocentes e assim, vou amar-te. Vamos viver hora após hora, dia após dia no nosso mundo longe do mundo. Vamos ser nós e o nosso amor. Vamos viver de manhã há noite, partilhar o mesmo espaço, viver no mesmo recanto. Vamos traçar metas e destinos e concretizar sonhos lado a lado. Vamos atingir o inatingível,multiplicar-nos e aumentar o nosso ninho. Vamos viver juntos para sempre e mais um dia. Vamos ser eu e tu, vais chegar a casa a noite e eu vou estar a tua espera com o sorriso no rosto e abraçar-te com vontade insaciável de te ter de novo nos meus braços. Vou beijar-te e fazer de ti meu mais uma vez. Vais servir-me o copo de vinho e vamos sentar-nos no chão daquela sala a trocar risos e cumplicidades, vamos ver fotografias antigas e contar histórias do passado que um dia vivemos. Vamos fazer corridas para ver quem é o primeiro a deixar o copo em cima daquela mesa de vidro e a chegar primeiro aquela cama onde vamos, mais uma vez ser um do outro. Vamos comer aquela taça de morangos com chantilly ou chocolate que preparei para ti e dar-lhe o meu toque de canela, vamos deliciar-nos a cada segundo. De arrasto, esquecem-se as antigas promessas e fazem-se novas juras de amor e paixão eterna, sangue saliva e suor. Vais dizer baixinho ao meu ouvido que me amas e que me queres ter de novo. Vais pedir que nunca te deixe e fazer-me prometer que serás o último homem da minha vida. Vou adormecer no teu peito, vais beijar-me a testa, encostando-me a ti e dando-me a mão com a maior firmeza que conseguires. Vamos ficar sempre juntos e unidos como se um só fossemos. Os anos vão passar e nós vamos ser assim, uma vida inteira, como sempre prometemos. Serei eu e um alguém que me vai proporcionar todos estes momentos, se não és tu, não sei quem será. Mas alguém há-de ser. E como a oportunidade mais verdadeira é aquela que se ganha com o tempo. É exactamente por isso que não vou forçar nada, porque o que nasceu para ser, um dia será. Já te amo só de imaginar!

25 maio, 2011

Cinco minutos, mais cinco nossos minutos

"O amor não se mede em tempo, mas em momentos."

O único mal dos nossos mais pequenos instantes, é serem tão bons, e eu querer sempre mais. É este mal que me faz tão bem, que eu quero continuar a ter vezes em conta. E hoje, como não podia deixar de ser, não foi diferente. Já desisti de planear coisas contigo, já desisti de esperar por ti. Já desisti de te implorar para apareceres, por não aguentar mais um só dia sem ti. Agora, deixo ficar nas mãos do nosso destino, sei que sem mais nem menos a tua mensagem mais inesperada vai chegar, a tua chamada menos esperada ainda vai fazer o meu telemóvel vibrar em compasso ritmado com os meus batimentos cardíacos ao ver o teu nome no visor. Sei que nos instantes seguintes vais aparecer há minha porta e eu vou descer as escadas a correr para ir ao encontro do teu abraço, que está do outro lado da mesma. Porta essa, que é a única capaz de descrever a forma como as minhas mãos tremem quando a abro para poder chegar a ti. Que é a única  que separa o que somos juntos, do que somos separados. Podia dizer aqui as frases que já te disse, as palavras que já te escrevi, todas as cumplicidades que já trocamos, todos os momentos de respiração suspensa em simultâneo, todos os concertos ritmais de dois corações tão unidos e tão distantes, todas as trocas de olhares e todos os beijos deixados escapar no mais profundo dos desejos. Podia fazê-lo de facto. Não o farei. Vou esperar por ti mais uma vez, para te dizer tudo de novo sem um único som. Vou esperar por ti mais uma vez, para esperar que me digas não o que quero ouvir, mas o que estás a sentir. Vou esperar por ti para uma hora ou cinco nossos minutos. Vou esperar por ti, e esperar por mais uma frase solta saída da tua boca, por mais uma surpresa de última hora. Vou mandar-te mais uma mensagem de boa noite, vou dizer-te mais uma vez coisas que não devia dizer. Vou ficar presa a este último momento até um próximo que apareça por acaso. Vou matando a saudade como posso, mas...e a vontade insaciável de te ter aqui, que aumenta de dia para dia como fica? Continua, até mais um momento de dedicação vindo de ti. E amanhã? Amanhã vou chegar ao fundo das escadas, olhar para aquela porta, lembrar a tua imagem de braços cruzados há minha espera encostado ao teu carro, vou recordar o calor do teu abraço e o sabor misterioso do teu beijo. Vou de certeza, voltar a ver o coração desenhado pelos teus dedos no vidro daquela porta. Vou concerteza, cada vez mais, querer-te de corpo e alma, com todo o calor  da chama que contigo arrastas a cada passo. Vou de certeza, ansiar ter-te de novo, sentir de novo o teu amor. Vou de certeza, querer amar-te mais uma e outra vez.
P.S: I love you !

19 maio, 2011

Esfera - um mundo paralelo


"You think you know me? Think again."
Diante dos teus olhos, vês o que te mostra. Tiras as conclusões que o teu cérebro atribuí a informação que vai recolhendo a cada passo, a cada gesto, a cada palavra a cada movimento seu. Da sua maneira de viver a vida, achas que dela apenas faz parte a força e a persisitência, a vontade e a conquista. Dela, esperas que seja a força da natureza que nada nem ninguém com segue derrubar - nem mesmo as rajadas de vento mais fortes e inesperadas, que a fazem tirar os pés do chão e cair no seu desíquilibrio; nem as maiores marés de maus momentos a podem sufocar e afogar - pois, é no seu dia-a-dia que por muito negro que seja, transmite rios repletos do seu brilho natural. Mas é aqui, é aqui que tudo muda. Porque por detrás daquilo que ele e outro vêm, por detrás da força da natureza que lhe atribuíram e tomaram como certa, existe de facto, um mundo que eles estão longe de saber existir. E estão mais longe ainda de lá entrar. Em sua volta ela tem um escudo protector. É ele que a mantém resguardada das coisas que se passam em seu redor e que ela não quer que a atinjam. É este que esconde o que é só dela, e para o mundo não quer passar. É a esse escudo que a une em dois mundos paralelos, que ela chama de esfera.  É a essa esfera que ela deve todas as lágrimas que não deitou, todos os sorrisos que não mandou mas que esperavam que mandasse. É a essa esfera que ela criou, que agradece as coisas que lhe ensinou. É essa esfera que ela venera por não a deixar cair na tentação de se magoar uma e outra vez. É a essa esfera que dedica cada dia da sua vida pois é ela que a permite viver - na imagem que vai reflecte para fora, e sobreviver - na imagem que reside dentro. Pois é no centro do seu mundo paralelo, que ninguém sabe existir, que com ela coabitam todos os maus momentos e memórias, sentimentos, rasgões, cicatrizes e bocadinhos de si que vai colando a pouco e pouco. Mas a sorte, é que em percentagem maior existe sempre a vontade de continuar, a alegria, a lágrima que caí de tristeza e de longas gargalhadas perdidas sem razão aparente , glórias que foram alcançadas, muitas e muitas coisas boas. A sua esfera é o seu mundo dentro do mundo. É nela que mora ela e os seus. Ela e os seus sentimentos por eles. Ela e tudo o que ela deseja trazer sempre consigo. Ela e o seu melhor e pior. Ela e as suas boas e más decisões. Ela e os seus erros e triunfos. É na sua esfera que guarda a sua riqueza natural. É na sua esfera que ela é pura e por isso só entra o quê e quem ela deixa. É aqui, que ela se defende das agressões do mundo que rodeia o seu. É aqui, é nas paredes desta esfera - que são mais fortes que ferro- que do lado de fora ficam as coisas más e tudo o que as acompanha, e para o lado de dentro passam as coisas boas e as que quer guardar para sempre consigo e dentro de si. Dentro desta esfera, tudo é real. Por fora, muito passa pelo fictício, a imagem de força da natureza inquebrável, não existe de todo. Porque nas suas noites, ela também chora, ela também espera que o dia acabe, ela também sente medo e saudade. Ela também está tão viva como todos os outros, simplesmente consegue disfarçar melhor e passar a sua sobrevivência para a vivência de todos os dias. Porque a vida é curta demais para desperdiçar e a tua imagem muitas vezes conta mais que o teu coração e assim, a tua imagem fictícia vale mais que a tua imagem real. O actor que encena o teu papel, todos os dias da tua vida vale mais que tu. Ela na sua espera é ela, fora dela é uma outra ela dela mesma. Para a sua esfera passa o que vem de ti, os momentos que lhe proporcionas e tudo o amor que lhe vais dando nos vossos momentos de maior entrega. Fora da esfera ficas tu e a tua vida paralela à que tens com ela. Tudo o que a ela é susceptível de magoar. Dentro da sua esfera, reside a imagem que criou de ti, fora, fica a tua imagem real que ela não esquece por muito que queira. Dentro da sua esfera vais entrar, no dia em que o teu amor a cegar, a faça esquecer tudo o que gira à tua volta, a faça entregar-se a ti de corpo e alma. E nesse dia, da sua esfera fará parte um homem, que desde menino lutou contra a barreira protectora que a mantém no seu mundo à parte do mundo.

Ps: E hoje, ela acordou com sede e desejo de ti, mas a sua esfera não a deixa alcançar-te,
porque a cada momento doce vindo de ti - que a fazem viver por dentro e por fora-
vêm muitos de amargura, - que a fazem sobreviver por dentro e viver para fora.
Porque assim tem de ser!

13 maio, 2011

Mas não te preocupes, é o facebook


"Facebook, destroying relashionships and friendships since 2004."

Facebook para a esquerda e para a direita. De manhã à noite. De segunda a Domingo. Ao pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar. Desculpa para tal coisa? Ir dar comer ás vacas ou apanhar as couves na quinta, recolher o bonús da esquadra da polícia da cidade, apanhar as rendas dos logistas no milionário ou encontrar provas e analisá-las no C.s.I , com mais cinco minutos de ausência de sono ainda dá para comandar as tropas todas noutro jogo qualquer. Para matar saudade da infância podes sempre dar uma voltinha épico puzzle bubble atacando as bolinhas de cores diferentes como se da cara do Sócrates se tratasse.
Entre uma coisa e outra, recebes notificações sem conta, às quais vais ter de responder senão és permanentemente acusado para além de seres viciado és um viciado anti-social. Sim porque se achavam que ser anti-social é estar permanentemente isolado no seu mundo sem querer conversas com outrem, estão redondamente enganados, Exactamente porque ser um ser dessa categoria passou a passar por não responder aos “amigos” do facebook.
Para saberes da vida de alguém ou dos males do mundo? Vai ao facebook, acredita bem melhor que o Destak ou O Metro, é notícia fresquinha a toda a hora e não ficas com as mãos borradas do papel do jornal. Precisas de dizer algo a alguém? Para quê ir ter com a pessoa e dizer ? Na, isso para as pessoas mal-educadas do século passado. Porque a educação agora é falar abertamente de tudo e mais alguma coisa no mural do outro. Deixa lá as tuas lindas palavras, que os outros vão pôr “gosto” . Podias ser discreto e ligar o chat não? Mas não te preocupes, o que eu queria era saber a tua vida, mais a de A, B ou C. Sempre deu para poupar na investigação dos factos. Obrigado.Foste apanhado em situações embaraçosas nos últimos dias? Foste gravado. Não é alarmante, o youtube está a ficar fora de moda, em menos de 24h está no teu mural do facebook. Mas não te preocupes, isso é cool.
Todo o teu tipo de informação pessoal, quantas voltas ao bilhar grande já deste e quantas vezes vais a casa de banho por dia? Todo o mundo sabe, está lá tudo. Mas não te preocupes, os companheiros do Bin ladden não estão interessados nos teus ténis da nike, no fato-treino da adidas ou, agora à labrego, no teu “cap” da lacoste. Hoje saís-te de casa. Enganaste-te não? Desculpa, vi a tua foto no facebook. Vestidos ou despidos, sozinhos ou acompanhados, com conhecidos ou desconhecidos a comer gomas num parque infantil a beber ou a fumar, na praia ou na street, dentro ou fora ou até lá fora cá dentro. Está lá tudo. Mas não te preocupes, é bom viajar e conhecer mundo sem sair do conforto da cadeira do quarto e gastar dinheiro no bilhete de avião.
E é assim que se ganham cem amigos por dia, todos os dias. Mas isso acontecer não te preocupes deve ser só para perguntar o preço dos brincos que tens nas orelhas ou da mala que estava em cima do banco na tua foto de perfil. Nada demais, vai andar uns dias a comentar as tuas publicações, mete uns “gosto” nas tuas fotos, mais uma coisita ou outra, mas amanhã passa por ti na rua, mas não te conhece. Epic. Mas não te preocupes, menos um para dares prenda nos anos e outras datas comemorativas, com o facebook é só poupar. Falando nisso, não sabia que quando nasci tinha sido notícia no mundo, até pessoas que nunca vi se lembraram de me felicitar pelos meus 18 anos, sinto-me importante. Ora bolas, o facebook faz questão de avisar, lá se foi o meu momento de glória. Vejam só, até dos anos da maior inimiga, do ex namorado chato, da melga da prima, do cão do gato ou do periquito toda a gente se lembra, incrível. O que vale é que é só para não parecer mal. Mas olha, não te preocupes, quando disseres o teu simples obrigado, não se vão lembrar mais de ti até ao ano seguinte.
Outra coisa fantástica nesta rede social igualmente hilariante, nos teus dias de inspiração dá asas à tua veia artística, publica uma nota no facebook. Mas cuidado, ele é sensível e não podes ferir as suas susceptibilidades. Não é que uma pessoa vai toda contente publicar uma conversa engraçada para animar os outros milhões portugueses que andam deprimidos, sobre uma combinação de possível ida há praia, e ele lembra-se de declarar mais de 80% da conversa com SPAM?! Era só uma ida à praia, não um arrastão. Mas não te preocupes, pode ser que tenhas mais sorte que eu.
Precisas de ajuda com alguma coisa, partilhar algo do teu interesse, as maldades do mundo as novas modas ou outra coisa qualquer? Não te acanhes, mete no facebook, Não te preocupes, de certo que vai aparecer nas minhas actualizações. Queres estar a par da melhor festa da tua sexta há noite? Vai aos eventos que deves ter lá centenas de convites. Há crise, há crise, mas é na minha carteira. Aii, esperem. Eles têm todos guest e elas só vão ás lady’s night’s.
As famílias de hoje têm todos os membros com a mesma idade, mas gosto disso, amigos considerados da família. Gosto mesmo. As coisas incríveis que se pode fazer com o facebook, mas digo-te já se por acaso quiseres pôr que estás numa relação e é complicado contigo mesmo , ele vai dizer-te “não podes manter relações contigo próprio” . Então? Corto e cabeça ou esqueço-me de mim? Ai facebook, às vezes consegues ser tão burrinho. Entrando aqui na parte das relações, não podiam cá faltar as relações faceboookianas: hoje adiciono-te como amigo, amanhã suspiro por ti, no dia asseguir quase que o meu coração saí da boca quando te vejo online no chat e consigo dizer-te que já te amo, mas na maioria dos casos, ainda nem se viram. Incrivelmente incrível. Dois das depois estamos numa relação entretanto passamos a casados e na hora do divórcio passamos a solteiros. E porquê? Porque entretanto encontramo-nos e eu decidi que eras mais bonito nas fotos e não eras tão bronco a escrever como a falar. Desculpa aí, qualquer coisinha. Muita sorte tens tu se agora não carregar no “remover amizade” . Mas não te preocupes, é como se nada se tivesse passado, não há cá lágrimas de crocodilo e o ciclo vicioso continua vezes sem conta. As declarações são feitas por comentários em vez de olhos nos olhos e da-se a revolta quando o facebook decide desaparecer com os comentários cheios de coisas fofinhas e muitos arrobas. As características da tua namorada passam a ser atribuídas com base numa rede social e naquilo que ela faz por lá, sendo um protótipo da geração e não pela sua autenticidade. Relações tal e qual a economia do país? É aqui. Crescem rápido que é uma coisa doida, estagnam e caem a pique logo depois. E as medias a tomar para mudar não passam pelo aumento dos impostos, mas sim da mudança súbita da tua mentalidade e postura face à tentação do virtual. Passa por saíres de casa e estares com os teus verdadeiros amigos, a meia dúzia que está metida lá po meio dos outros quinhentos que tens no facebook. Passa por deixarem o ecrã e pegarem nas pernas e irem por aí, nem que seja para fazer asneiras e beber uns shots sem autorização dos teus pais. Passa por ires há procura da tua conquista e deixares conquistar-te, olhos nos olhos. Mas, Olha não te preocupes, se fores a excepção vais ser banidos da sociedade porque não fizes-te o login hoje, não mudas-te o estado ou a foto de perfil ou melhor ainda, se mantiveres uma relação com a mesma pessoa mais de uma semana. Viver no, e do facebook é assim., tudo mais bonito.
Ps: Isto é o que acontece quando acordamos revoltados contigo facebook.
Mas não te preocupes, voltamos para ti. Estás sempre perdoado. Sempre

07 maio, 2011

Espelho mágico, espelho meu

"Os olhos são o espelho da alma. Eles podem falar com profundidade.
Em certas ocasiões pode acontecer que se expressem demasiado ou muito pouco,
inclusivamente poderão expressar sentimentos que gostaríamos de manter secretos."

Os olhos não mentem quando a boca o faz, não dizem o que o coração não sente. Não magoam aqueles que não conseguem ler o que neles está escrito, não têm som mas falam mais alto que a tua própria voz. São de ti a parte mais pura e verdadeira. São de ti, o que te distingue de um outro alguém em teu redor. São nem mais nem menos, a parte de ti que te mantém em contacto com outro ao mesmo nível - seja qual for o tamanho daquele que está perante ti - é no cruzar dos olhares propositado ou não, que ficam há mesma altura. É o teu olhar que te permite ver e sentir. O que ele não vê, tu pouco ou nada sentes. É no teu olhar que os outros te sentem. É pelos teus olhos que sabem quando mentes ou dizes a verdade, quando estás alegre ou triste, quando estás de bom ou mau humor. É no teu olhar que vêm a imagem deles próprios. É no teu olhar que te defines e marcas quem és. É nos teus olhos que fica a diferença. São eles que por muito que não queiras, mostram a história da tua vida, que te fazem enfraquecer nos momentos em que devias mostrar-te o mais forte, pois é deles que vão cair as lágrimas, em resultados de tristezas que não consegues esconder, nervos que não consegues suportar, angústias que te estão a matar por dentro, mais fundo que qualquer alguém pode ver, que qualquer médico sabe dizer. Só tu podes sentir, só os teus olhos o podem expressar. São eles que falam nos teus silêncios, são eles que compõem as frases que não acabas, e formam as que nunca serão ditas. É com o teu olhar e o de um cúmplice teu, que trocam longas conversas de uma ponta à outra de uma sala, sem deixar escapar um único som. É quando o teu olhar se cruza com o daquela pessoa, que sentes os teu coração a bater em todos os locais do corpo, como se de uma bomba relógio se tratasse. É com o cruzar dos vossos olhos, que te falta o ar e o frio se torna calor. É quando se cruzam os vossos olhares, que sentem que são um só. É no vosso mais puro silêncio que o maior diálogo entre vocês acontece. É nos teus olhos, que são mostradas ao mundo as tuas fraquezas e as tuas vitórias. É do teu mais puro olhar que saí uma declaração, uma frase leve como uma pena ou dura como um canhão, com fim a matar quem a receber. É o teu olhar a personagem de ti. É ele que desvenda os teus segredos. São os teus olhos, que dizem o que procuras esconder e ainda o que queres dizer, quando a tua voz te falha quando mais precisas dela. São eles que dizem tanto ou tão pouco que te unem ao mundo ou te afastam dele. É apenas e só com o teu olhar, que da mesma maneira que podes acordar e ver a tua imagem num espelho, és também um espelho de ti.

03 maio, 2011

A casa um do outro

"São a casa um do outro. no final no dia, voltam para onde se sentem confortáveis."

É difícil parar- isto para não dizer que se torna cada vez mais impossível. Todas as forças me inclinam para ti, para o calor do teu corpo e o envolver dos teus braços, para a segurança da tua mão na minha e dos teus lábios nos meus. Por muito que qualquer tipo de coisa que se encontre debaixo dos nossos pés seja o mais direito e uniforme que pode existir, tropeço sempre na enorme vontade de te ter e caío redondinha no mar de desejo que nos prende na sua força invencível, e nos mantém lá presos em cada um dos segundos que te encontras a meu lado. Como se parte integrante dele fizéssemos. Não paramos porque, por muito que seja uma coisa errada, porque por muito que devêssemos ter isso em mente  - coisa que temos, mas não é mais forte que o resto - estamos demasiado ligados entre nós e importamo-nos um com outro, como se da nossa própria vida se tratasse. Procuramos um no outro tudo o que nos faz felizes, o que por muito que tenhamos nos continua a fazer falta, encontramos um no outro  a imagem de nós mesmo como se para um espelho estivesse-mos a olhar naquele preciso momento. Porque procuramos um no outro o conforto e estabilidade que não temos fora da esfera onde nos encontramos, esfera  essa criada por nós a pouco e pouco, dia após dia , para e apesar de tudo o que contra nós sempre pode aparecer. Porque tu tens um outro alguém. E eu posso ter os meus alguéns, estar com eles e gostar deles mas, é e será em ti que encontro o conforto que nunca aparece em mais braços nenhuns, o calor que não está em mais corpo nenhum, o carinho próprio de ti, todas aquelas palavras que só saem da tua boca e os sorrisos que só vêm do teu olhar. Porque tu és tu, juntamente com uma parte imensa de mim, tu e eu tornamo-nos num "nós" uniforme, com as bases mais fortes e seguras que o próprio aço. Porque nós sobrevivemos a tudo. Porque eu sei que tu estás lá quando eu preciso de ti e quando não preciso, e tu sabes que eu estarei lá para ti também por muito que não faça parte de ti recorrer a outro alguém. Mas no dia em que fizer, a minha porta vai continuar aberta para ti. E por isso, por tudo o que passamos juntos, por momentos bons e menos bons, por coisas perfeitas e coisas perto do insuportável, por alegrias e birras tremendas, tu e só tu, és o meu único e verdadeiro porto de abrigo. A nossa conexão ficou inquebrável, e não é de de hoje ou de ontem, é de um ano passado lado a lado, e isso, nada nem ninguém vai mudar. Porque o mundo pode acabar, pode cair tudo o que é de mau em nós, mas nós somos a casa um do outro, e os nossos telhados não são de vidro, somos transparentes e temos como lidar com isso. Um último beijo igual ao primeiro, nunca significou início do fim !

Ps: "Entre a razão e a emoção, a saida é valer a pena ",
e o bom é que vale, vale sempre !


01 maio, 2011

Separadamente juntos


Faz-me seriamente confusão a forma como o tudo passa a nada. A maneira como tudo o que era tomado como certo, se torna a coisa mais banal e mais incerta ou improvável do mundo. Já me questionei várias vezes do porquê de "tudo junto" se escrever separado, e "separado" se escrever tudo junto. Não sei, há coisas que eu não consigo mesmo entender. Poderia ser por todos insistirem em fazer vidas paralelas mesmo estando juntos e quando se separarem, então, darem o valor ao que era quando estavam juntos. Não sei, mas assério adorava perceber. Adorava saber, o porquê de as pessoas sentirem tanta dificuldade em separar sentimentos. O porquê de confundirem atracção com paixão, ou amizade com amor. Ou pior, não saberem nada de nada, sobre cada um deles e confundi-los todos. O amor existe, não se uma forma mas de várias, mas é sempre amor. Mas não se confunde. E é naturalmente suposto ser uma coisa boa e não algo que a longo prazo nos pode matar aos poucos até não restar mais nada de nós. E porquê? Porque toda a gente insiste em meter tudo dentro do mesmo saco, e misturar tudo. E depois? como é que sabem o que querem ? Não sabem. Como é que sabem o que estão a perder ? Não sabem. Como é que sabem porque é que acabou? Não sabem, é só porque sim ou porque já não dava. Mas não dava porquê? Porque devido a confusões claramente visíveis entre o que vai na cabeça e o que vai no coração, as coisas começaram pelo fim em vez de começar pelo principio. Não foram criadas bases seguras e á primeira rajada de vento tudo se desmorona, o que era perfeito passa a estar na sombra do infernal. Os obstáculos não são ultrapassados e qualquer tipo de coisa que aconteça acaba com relações sejam elas quais forem. E do tudo que se tinha, passa-se a ter nada, sem serem cacos espalhados por todos os caminhos que passas todos os dias, porque a vida continua, e por muito que as relações mudem, os caminhos serão sempre os mesmos, mas agora carregados de memórias e recordações lá passadas com outro alguém. Da felicidade que se sentia, passa-se a ter a dor e o vazio que te espeta facas no teu órgão vital. E assim te vai matando aos poucos e te faz sentir um farrapo. Porque é que as pessoas misturam aquilo que não é susceptível de ser misturado? Porque é que somos tão incapacitados para sentir verdadeiramente, e tão dotados de perder tudo o que mais queremos por coisas sem sentido? Porque é que o amor se transforma tanto ou tão pouco, que nos faz ficar sem saber o que pensar, o que sentir o que fazer? Porque é que de amizades nascem amores, e de amores morrem amizades e nascem buracos enormes onde vais caindo dia após dias, quando o amor continua lá, mesmo que de outra forma, mas a ser estupidamente negado. Porque é que não percebem que quando as coisas são verdadeiras, o mundo pode acabar que o sentimento permanece lá? Porque é que não param de misturar tudo aquilo que sentem e arranjar maneiras de sentir o que não sentem só para gradar a terceiros? Mais vale um "não" verdadeiro, do que um "sim" carregado de falsas promessas, que nunca vão ser cumpridas. Porque é que é tão difícil perceber que o fim de algo não implica o fim de tudo, mas sim o início de novas fases, na maioria das vezes ignoradas por todos? Sinto-me uma peça a parte no mundo por ser tão capaz de separar tudo. Sinto-me há parte por ficarem de boca aberta e me dizerem: Tens uma capacidade incrível de separar sentimentos. Sinto-me estupidamente deslocada neste mundo, onde as melhores coisas são estragadas por confusões sem sentido nenhum, por se estragarem relações por pensarem quando devem agir e agirem quando devem pensar. Sinto-me há parte, num mundo só meu. Sinto-me diferente, por ser tão racional na minha irracionalidade. Será que faço mesmo parte deste mundo? Oh meu Deus, socorro!



Ps: No dia em que souberes diferenciar o que pensas, daquilo que realmente
 sentes, ciclos viciosos como este, deixarão de existir.



26 abril, 2011

Blá Blá Blá da Ternura



"Todo o bem que pudermos fazer, toda a ternura que pudermos dar,
que o façamos agora, neste momento, porque não passaremos duas vezes pelo mesmo caminho."
Ternura é chegar á noite há janela do meu quarto espreitar para o outro lado dos vidros e ver a claridade  mesmo no meio da escuridão, olhar para o céu pouco estrelado e ver as estrelas mais brilhantes, olhar para a lua e sentir-me ligada a alguém que esteja muito mais longe do que se possa imaginar. Ternura é olhar naqueles olhos e ver o meu reflexo com letras imaginárias, a desfilar que fazem a legenda das palavras que jamais vão ser pronunciadas. Ternura é acordar todos dias com um sorriso no rosto por muitos pesadelos que tenham teimado em aparecer, para te fazer entristecer e temer o dia que aí vem. Ternura é encontrares-te no outro, mesmo sem estares perdido. Ternura é sentires os batimentos cardíacos de alguém mesmo sem chegar perto, é as pernas a tremer e a respiração a faltar. Ternura é a lágrima que caí sem avisar, no meio da maior declaração, da maior sinceridade, da maior alegria e da maior tristeza. Ternura é o sorriso indiscreto que soltas por entre a timidez e a gargalhada que deixar fugir perante o mundo na altura em que devias e não devias. É o cantarolar no chuveiro, no corredor de tua casa, entre as paredes do teu quarto ou numa rua cheia de gente. É dançar em cima de um palco ou de uma coluna. Ternura é seres tu e dares parte de ti ao que te rodeia. Ternura é aproveitar o momento seja ele qual for, é crescer a cada segundo, errar e aprender. É fazer dos pequenos momentos grandes momentos da história da tua vida. É fazeres rir o amigo que quer chorar, é chorar quando tens que rir e rir quando queres chorar. Ternura é pegares no lápis e no papel e desenhares, não coisas bonitas mas rabiscos que só tu vais perceber porquê? Porque por muito que ninguém os perceba é o que está em ti e isso é o que importa. Não és tu que tens que fazer sentido para o mundo, mas o mundo que tem de fazer sentido para ti e por isso, pintas-o há tua maneira e não da maneira que todos querem que o pintes. Ternura é ser verdadeiro, é mostrares o que és e dizer o que sentes. É fazer agora e não deixar para amanhã, porque tal como as águas do rio jamais voltam atrás, nenhum momento da tua vida de repete, pelo menos não da mesma maneira. Ternura és tu, sou eu e o outro. Ternura era o que tu me davas, o que tive, perdi e já voltei a ter. Ternura é tudo o que quiseres dar e tudo o que recebes. Ternura é o toque que te faz tremer, a palavra que te faz rir, o respiração que te faz andar, o coração que te faz viver, o corpo que te suporta e o herói a quem dás vida. Ternura é o blá blá blá da peça sem palco, que se passeia sem cortinas e passadeiras vermelhas, sem ensaios que vais representando dia após dia, áqueles que por acaso resolveram agarrar algum papel no teu guião que nunca foi escrito, mas  todos os dias é vivido.

20 abril, 2011

You're still here


Sentou-se no chão encostada ao sofá, ao fechar os olhos numa tentativa de não se lembrar dos momentos passados, só consegue continuar a sentir a sua presença, por muito que ele já se encontre a ir na direcção oposta áquela onde ela se encontra neste preciso momento. Por muito que queira ser melhor pessoa a seu lado não consegue, o que os uniu tornou-se mais forte que todas as regras morais que possam existir. Por muito que tentem manter-se dentro dos padrões permitidos por tais regras, é impossível. Ela só consegue cada vez mais concordar com a frase que sempre ouvio dizer em seu redor : "O fruto proibido é o mais apetecido", faz todo o sentido para ela neste momento. Ele tem qualquer coisa que a faz agarrar-se a si e não querer largá-lo mais. Fica presa a ele sem querer, é como uma das forças da natureza, sempre mais forte que eles. Desde que ele virou costas e se foi, já algum tempo passou. Escassos minutos que pareceram horas. De olhos fechados e braços em volta dos joelhos, ela continua a senti-lo a seu lado como se ele ali continuasse a envolve-la em seus braços como nos instantes antes, se encontravam. Ainda o vê a seu lado. O facto de a sua barba a picar é algo que já não a incomoda. Consegue descrever cada traço do seu rosto e expressão do seu olhar, os seus lábios e o sabor do seu beijo. A temperatura do seu corpo é algo quente que a faz derreter perante ele e juntamente com todos os outros factores lhe tira por completo a capacidade de pensar e dar ouvidos à razão. Ela permanece presa nele e no momento em que ele ali se encontrava, continua lado a lado com a vontade de lhe beijar a testa, o nariz, a barriga e o seu pescoço onde é capaz de descrever o cheiro do perfume que ele usava. Ainda sente o beijo dele nela, o seu toque e até o coração dele bater mais forte, como sente sempre que ele a deixa ficar simplesmente abraçada a si encostada ao seu peito. Envolvida naqueles braços sente-se protegida do mundo, por muitas que sejam as coisas que os deviam impedir de ter momentos como os que ainda permanecem em si. Por mais que ela tente fugir, por mais que ela tente deixá-lo ir para nunca mais voltar, por mais que ela tente ter outro alguém, por mais que ela tente remar contra a maré de desejo que tem dele, não consegue. Faltam as forças e a vontade só não chega. As coisas há volta deles mudam e voltar a mudar uma vez mais, mas ela volta sempre para os seus braços. Braços esses que gritam em silêncio por seu nome. São imensas as coisas que se passam na sua cabeça, que correm em direcção ao canto mais fundo do seu ser, o seu coração. Ela mantém-se estática, para conseguir que tais coisas párem também de modo a não lá chegar, porque se chegarem, vai ser sempre mais um grande e profundo golpe de recuperação lenta e dolorosa. Todas as palavras ditas naqueles silêncios profundos trocados entre si começam a ecoar no seu ser, e ela só continua a espera de poder dar-lhe a mão mais uma vez, correr para o abraçar e dar-lhe mais um e sempre possível, último beijo.

15 abril, 2011

E depois, tudo muda...

«Vá em frente, seja feliz. Tente sempre realizar os sonhos seus e de quem encontrar, (...).
Só não se esqueça que o amor é de vidro, que alguns sorrisos que te dão, são de cera (…)»
Uma das coisas boas da vida, é que insiste em mudar por muito que não queiramos. E muda não como desejamos mas como lhe dá geito. A ti, cabe-te a simples função de te ajustares a essas mesmas mudanças, ultrapassares as barreiras e voares sem tirares os pés do chão e com a cabeça assente nos ombros. A ti, cabe-te a função de saberes acordar no dia asseguir e continuar o teu caminho incompletamente traçado mas destinado. A ti, cabe-te a função de continuares e decidires quem e o que queres a teu lado na tua caminhada com fim inserto. A ti, cabe-te a responsabilidade de agires de acordo com o melhor para ti, por muito que o faças em último lugar. Por muito que metas tudo à tua frente, lembrando-te dos outros e esquecendo-te de ti. A ti, cabe-te simplesmente a função de gerir os teus passos, os teus movimentos, as tuas escolhas as tuas opiniões objectivos e sonhos e correr atrás deles por muito que fiques cansado e os teus pulmões se queiram recusar a trabalhar naquilo que lhes compete. Em ti, fica a oportunidade que agarraste, o momento que aproveitaste, a lágrima que deixaste cair, o sorriso que deixaste escapar, o beijo que quiseste roubar, a decisão que tiveste de tomar, a consequência do erro que cometeste, a lição daquilo que aprendeste. As palavras que disseste e as que ficaram por dizer. Os olhares que trocaste e os que ficaram por trocar. A desilusão que apanhaste e as desilusões que deste a outrém. A fotografia que tiraste, o rasto do perfume que usaste. O sonho que tiveste. O que gritaste aos sete ventos e o que calaste, omitindo de todo o mundo. O bem e o mal que te fizeram e fizeste. As vezes que acreditaste e as que duvidaste. As vezes que enganaste e as que foste enganado. As que amaste e que foste amado, e aquelas em que te entregaste de corpo e alma em algo que pensaste ser puro e verdadeiro mas, que por precausos do destino, não passaram de coisas da tua cabeça. Em ti, fica tudo o que vives e tudo o que sentes. Nos noutros, aquilo que lhes dás a viver e o que lhes dizes sentir. Por isso, quando o fizeres, tenta que seja da maneira mais verdadeira possível. Porque a clareza do teu sentimento nunca vai chegar ao outro como na realidade é . Se tiveres que dizer, diz no momento. Nunca num "depois" que pode não chegar, por ser tão inserto como a próxima brisa de vento. A ti, cabe-te o dever de viver. Viver até não poder mais, viver cada segundo. Aproveitar cada respirar. A ti, foi-te dada a oportunidade de abrir os olhos ao mundo e bater com a cabeça nas paredes. De ti, espera-se que te levantes todas as vezes que caíres. Espera-se que escolhas o melhor, que ames e perdoes. Que erres e aprendas com os teus erros e com os daqueles que te rodeiam. Que sigas em frente com a força de um furacão sempre que a corrente contrária te leve cada vez mais para baixo. Espera-se que te rodeies de pessoas, que te vão amar e magoar. Pessoas essas que vais querer manter e que vais querer abandonar. Espera-se que consigas distinguir a verdade da mentira e fazer uso de ambas da melhor maneira. Espera-se que não desconfies mas que não acredites demasiado, para depois não teres o prazer de conhecer o desgosto da realidade. De ti espera-se que sejas uma força da natureza que suporta tudo e todos. De ti, espera-se que transpires vida por todos os poros, e vivas de todas as maneiras possíveis e imaginárias. E porquê? Porque a vida é uma série de escolhas, uma combinação de momentos pequenos, que adicionados aos grandes te tornam quem és.

Um dia aprendes que ...


"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida.

Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados.

Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas.

Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais ... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar." (W. Shakespeare)


Ps: Um dia aprendes que ainda tens muito para aprender.

04 abril, 2011

In your arms

São tantas as coisas que são ditas, e ainda mais as que ficam por dizer. Nem mais nem menos importantes. Longe, todos os dias parecem semanas, perto todas as horas parecem minutos. É tão bom o pouco tempo que passa nos seus braços. Aquele dia chegou, o dia em que ia de novo ao encontro daquele que ansiava ter perto de si mais uma vez, aquele a quem queria tocar e sentir que estava mesmo ali. Era certo que não imaginava como iria ser, na verdade imaginou muitas coisas, mas foi certamente vezes sem conta muito melhor do que alguma vez lhe tinha passado pela sua cabeça. Simplesmente não queria sair do seu lado por nada deste mundo. No momento em que viu de novo sozinha com o seu pequeno grande príncipe não resistiu mais. Cada toque seu tocava em cada pedacinho de ansiedade até ali acumulado, cada respirar abafava o vento que soprava em seu redor. O seu olhar aquecia-a por dentro, dele tentava arrancar qualquer tipo de palavra que por ali pudesse andar escondida em qualquer recanto daquele que ela esperava. Tinha pouca sorte, porque por mais incrível que ela achasse, as palavras trocadas entre eles iam saindo tão naturalmente como as próprias ondas do mar a rebentar na areia, lá bem ao fundo. Deu-lhe os beijinhos mais doces que naquele momento conseguiu arranjar. Esses, foram aqueles que lhe arrancaram sorrisos, propositados ou não. As pequenas travessuras que fazem um ao outro, entre momentos que partilharam entre si que só eles saberão. Mas nos seus braços, aí sim. Aí, elas estava de facto mais alto que os seus próprios sonhos, poderia tomá-lo como seu. Envolvida neles sentia-se a pessoa mais quente e protegida daquele mundo que a rodeava. No calor deles, ardia a saudade que por muito que se tente abafar com uma conversa ou outra, acaba sempre por sobreviver. Nos braços dele, com o carinho dele, ela é a pessoa mais feliz do mundo. Agora, só pede que ele não lhe tire o que já lhe deu. Pede que ele fique e não desapareça. Pede que lhe dê mais daquele seu amor. Do longe faz-se perto meu doce.

"Então, é assim que começa a felicidade. Aqui é o começo. E, é claro, haverá sempre mais."

24 março, 2011

Suavemente violenta


Era a primeira vez que se viam, alguém fez questão de os apresentar. As horas foram passando, ela confessa que no meio da noite ainda espreitou naquele espaço enorme para ver se o via. E viu, mas não chegou nem lá perto. Sem saber como nem porquê acabou por esbarrar com ele mais uma vez, mas naquele momento ficou e não saiu mais dali, sentia-se bem na sua companhia e já não precisava olhar a sua volta de cinco em cinco minutos à sua procura, ele estava à sua frente. A conversa estava boa, o ambiente era estranho. Ela não fazia parte dali, mas ele compensou tudo isso. Quando deu por si tinha sido raptada por aquele conhecido desconhecido que se encontrava a seu lado naquele momento, naquele lugar. No entrelaçar dos seus dedos encontrou a certeza de o querer para si, mesmo que ali fosse. Já não via nada a sua volta , era como se o conhecesse desde sempre. As suas palavras tinham sido caladas com um beijo que se soltou de um momento para o outro. Apoderaram-se um do outro numa fracção de segundos. Deixaram-se levar como se de duas penas levadas pelo vento, numa brisa fresca de Verão se tratassem. O tempo continuou a correr, não parou, por muito que lhe tivesse parecido, ou que quisesse que sim. Não se sentiam corações bater, só o frio fazia questão de assinalar a sua presença. Quando deu por si estava envolvida no abraço mais quente que  alguma vez tinha sentido, sentia-se pequena a seu lado, mas mais protegida que nunca. O seu respirar fazia-a acreditar que ele estava mesmo ali, era como a suave melodia que entrava no seu ouvido e ecoava no seu peito. O dia foi nascendo, era a única coisa que podiam ver. Eram eles e a claridade a aparecer em seu redor. Não procurava um príncipe, mas foi tratada como uma princesa. Não sabe dizer o que sentia ali, não sabe dizer como lá foi parar. Sabe que foi e será uma das suas melhores noites, era suavemente violenta a envolvência que juntos criaram como duas forças que se atraíem. Se pudesse ainda hoje lá estava. Assegura que sim. Por agora, espera o dia em que vai poder voltar a estar nos braços daquele alguém.

21 março, 2011

Imagem do teu momento

"Fotografia nada mais é do que um cálculo onde as variáveis de soma são luz e criatividade,
 elevadas à paixão daquele momento. "
Encontras superficialmente naquela fotografia parte de um momento. Olhas, mas não significa que vejas. Por detrás daquele segundo em que a máquina disparou depois de um click, estão inúmeros momentos que se completam entre si formando a história daquela imagem, formando a poesia dela mesma. Ali está a essência daquele lugar, rostos que não aparecem, palavras que foram pronunciadas que não estão expressas, arrepios que não são expostos, borboletas na barriga e sentimentos que a muitos nunca hão-de chegar. Podes tirar fotografias a cada minuto, podes encher álbuns e álbuns,  os verdadeiros momentos só num sitio ficarão guardados. Só aí permanecerá o verdadeiro sentido daquelas pequenas imagens que vais passando folha após folha, ou click atrás de click frente ao ecrã do teu computador. Pequenos grandes momentos que falam por si sem dizer uma palavra . São vistos por todos e sentidos por alguns. Mostram uma coisa mas podem muito bem querer dizer outra. Reinam no baú gigante e sem fim, do poço das recordações, e por muito que ajudem a relembrar este e aquele momento, esta e aquela pessoa, este e aquele objecto, aquela conversa , nunca os vão trazer de volta, mas permitem-te vivê-los em determinado instante, reavivam-te a memória de traços que já estavam esquecidos, permitem-te passar a mão por pedaços de ti que deixaram de existir, ver o que pensavas jamais voltar poder alcançar com os teus olhos, pormenores que jamais voltarias a lembrar-te se aquele pequenino pedaço de papel não tivesse existido um dia. Fazem o teu coração bater a um ritmo acelerado, uma lágrima cair ou um sorriso escapulir-se de um rosto, endurecido pelo tempo, inconscientemente. Cada uma delas contas histórias que bem organizadas entre si se escrevem sem canetas nem papel - a vida dela, dele ou do outro. São a mistura de todas artes. Olhas para elas e concentram em si todas as essências mais essenciais, o titulo de uma música, a frase de um livro, a imagem de um outro quadro. A diferença entre os jornais escritos e a literatura passa diferença entre uma foto a preto e branco e essa mesma a cores- como alguém um dia disse. O tempo passa por elas e passa por ti, exactamente da mesma maneira. As mudanças recaem sobre ti a cada dia que passa, mas naquelas fotografias nada muda, a não ser a forma como cada um a vê. Dizem que a fotografia não é mais que o retrato da morte, que marca momentos que passaram, deixando o passado mostrar-se no presente e voltar a fazê-lo num futuro próximo ou longínquo, retrato que fica quando tu te vais.

15 março, 2011

Pânico em saltos altos



Chegou o dia, a hora está próxima. Anda à tempo indeterminado a pensar no momento, naquele momento. Seja um casamento, uma festa ou simples saída a noite com uns amigos. Um dos grandes dilemas da sua cabeça, os saltos altos. Bom era se fosse só isso. São os saltos, a roupa a maquilhagem, o casaco, os brincos, o colar as pulseiras e o penteado. Mil e uma combinações, quando está prestes a decidir, muda tudo e volta à estaca zero. Entra em pânico. É frequente, que aos pormenores de fora, imaginados para agradar um outro alguém que por acaso passe por ela e repare na sua existência,  se juntem as dores psicológicas horas antes do acontecimento, dores nos pés, dores de cabeça, e o pum pum pum que já não saí dos seus ouvidos mesmo antes da sua entrada. Ainda não saiu de casa e já pensa no que irá acontecer. Programa tudo ao pormenor, decidiu finalmente o que usar naquele dia e aquela hora. Olha para o relógio de cinco em cinco segundos, o tempo parece insistir em não passar. Não tem nenhuma noite por aí além combinada, mas sente que algo está p'ra vir. As assombrações voltam ao ataque - e se a maquilhagem não aguenta? e o cabelo vai ficar esplendoroso toda a noite? não vou eu tropeçar entre os saltos e o vestido numa das enumeras pedras da calçada desnivelada. Enfim, instalou-se  a incerteza, de repente sente que nada daquilo está bem. Deixou de sentir-se bem.
Está pronta para sair, o carro está lá em baixo à sua espera, desce uma escada de cada vez tentando não cair por ali... quando chegou a meio destas voltou p'ra trás. Colocou as chaves na porta mais depressa do que alguma vez o tinha feito, entrou como um furação pelo quarto a dentro e revolucionou tudo a sua volta de tal maneira que, tudo se transformou. O belo do vestido provocador deu lugar à camisola semi-decotada e às calças de ganga com um ligeiro corte no joelho. Os saltos altos, para os quais precisava de horas de treino para manter o equilíbrio foram rapidamente substituídos pelas belas botas de imitação de uma marca qualquer sem marca. Os cabelos foram soltos para apenas poderem esvoaçar juntamente com movimentos corporais imaginários que já surgiam na sua cabeça. Pegou na mala  mínima que leva sempre, saiu a correr entrou no carro e não olhou mais p'ra trás, as assombrações deixaram de existir. Era sem dúvida ela própria e não uma boneca de porcelana que se ia passear pelas ruas como tantas outras que lá estavam quando chegou.


Nota: fictício o acontecimento,
real o pânico dos saltos.

11 março, 2011

Faz de conta

Numa altura em que o faz de conta saiu a rua, sem pedir autorização, agradando a uns e chateando tremendamente outros, é altura de pensar no que surge por aí. Pessoas que vestem este ou aquele fato, inserem-se dentro de uma personagem e insistem em passear-se dentro dela por alguns dias. Alguns assumem-na como se fossem parte dela, outros apenas a aplicam superficialmente deixando os pormenores para outra altura, esquecendo-se que estes existem tirando então toda a credibilidade aquilo que desejariam mostrar. Vêm-se pelas ruas, enumeras personagens que há muito já estavam desaparecidas das nossas mentes. Mas, pensando bem, se escavarmos até ao fundo mais fundo da questão. Qual é o dia em que não andamos por aí no faz de conta que... todos os dias, dia após dia, as caras são diferentes. Só as cores exageradas e as maquilhagens carregadas ficam fechados dentro do armário dentro de qualquer coisa que os conserve até ao ano seguinte. Quantas e quantas vezes o que achamos de algo ou alguém muda do dia para a noite e porquê? Porque tivemos o azar ou a sorte de comunicar com aquele alguém no dia em que ele tinha insistido sair de casa, disposto a representar durante aquele dia, qualquer coisa que não é uma realidade, transparecendo coisas erradas para outrem. Quantas e quantas vezes insistimos em fazer de conta que não vimos nem ouvimos nada, ou para não chegar ao ponto em que nos magoa, ou para não sabermos demais e não atingir sem querer um terceiro, como se de uma bala solta se tratasse. Quantas vezes saímos de casa atrasados e não desistimos de nos passear pelas pedras da calçada como se muito a tempo estivesse-mos. Já para não falar nas vezes que sabes que estás perdido e para não dares parte fraca persistes  em seguir aquele caminho na esperança de que no instante seguinte te apareça a rota certa. Diz lá que na maioria das tuas escolhas não seguiste aquilo que sabias que te provavelmente nem te levariam a lugar nenhum, para mostrar a outros que possivelmente estariam errados mesmo sabendo que essa probabilidade era mínima. Podemos pensar também nas vezes em que voamos sem tirar os pés do chão quando nos concentramos no faz de conta que as coisas podem um dia ser assim, quando te pedem que entres na pele de um pássaro que voa livre por aí. Quando imaginas mais que o imaginável. E as vezes que abres os olhos de manhã e o mundo decidiu continuar caído a teus pés, e o que mais queres é ali ficar e voltar a dormir na esperança de que aquilo acabe, mas mesmo assim, levantas-te e metes a tua melhor máscara.  Aquela que te vai permitir esconder tudo isso e mais uma vez fazer de conta que tudo a tua volta acontece as mil maravilhas, quando na verdade gira completamente em sentido oposto aquele que estás a caminhar. Quantas máscaras tens tu? Quantas e quantas vezes queres esquecer coisas, ou simplesmente fazer de conta que não existiram por mais difícil que seja. Quantas e quantas vezes fazemos nós de conta? Quantas vezes por minuto, por hora, por dia, por mês, por ano...Qual a quantidade da tua vida que é passada no faz de conta que fazes de conta? Como havemos algum dia alcançar a perfeição, ou pelo menos chegar lá perto, nesta imperfeição que é o mundo que te rodeia, que te obriga a teres mais máscaras do que dias para as usar.

07 março, 2011

Selo

O primeiro selo oferecido ao blog :

Regras:

1. Dizer quem ofereceu o selo, e comentar o blog da criadora : Contratempo

2. Gostas do blog "contratempo"? Porquê? Gosto muito do blog. Porquê?  Porque a sua criadora escreve como um dia me disseram : "com o coração" .

3. Qual a direcção do teu coração? O meu coração vai na direcção do futuro inserto, vai na direcção do que ainda está para vir, vai na direcção daquilo que o faz bater mesmo sem ele saber, vai na direcção do que pode e não pode, na direcção das maiores alegrias e tristezas, dos melhores e piores momentos, das maiores glórias e dos maiores erros..vai, sem tirar nem pôr, na direcção da vida .

4. O que perdes muitas vezes? Boa pergunta, mas que me lembre não há nada que perca assim com frequência. Isto, se não tivermos a falar de perder a paciência com criancices e coisas do género, isso sim pode tornar-se frequente principalmente em dias maus. Mas, nada que não se resolva.

5. Oferecer este selo a quem tem como destino o teu coração: a todos os seguidores do blog :)

Ps: Obrigado Maria Oliveira .

26 fevereiro, 2011

A noite pede...

...que deixes de parte o que é teu, o que faz de ti quem és,  do lado de lá de uma porta imaginária. Pede que deixes os teus problemas dentro de uma gaveta bem fechada no fundo do armário antes de saíres de casa, que deixes telemóveis e conversas que podem ser tidas depois, em standby em cima da mesa, à espera do teu regresso. A noite pede que as tuas paixões e preocupações com elas fiquem guardadas no lugar mais fundo do teu ser, a dormir em paz, fora de qualquer confusão. Pede que leves uma hora a decidir o que vestir, o que pode levar ou não, o que fica bem e o que fica mal, o que te vai fazer uma pessoa minimamente séria e o que te vai fazer parecer acessível para os demais. A noite pede, que deixes o teu stress de fora e que leves a maior dose de paciência que conseguires para possíveis acontecimentos inesperados. Pede que fiques uma hora a espera para entrar em algum lado ou que passes há frente de todos os outros que já lá estavam. Pede que apresentes B.I e te sujeites a ser revistado. A noite pede que,  a partir do momento em que entras em determinado local, deixes de ser o que és dia após dia, pede que cries uma personagem para actuar ali, sem ensaios prévios e sem ficar a espera de palmas. A noite pede que te deixes levar pelo que se passa a tua volta, que te deixes voar sem tirar os pés do chão. Pede que tenhas paciência para ser fumador activo ou passivo uma noite inteira, até ficares com os olhos vidrados, que bebas copos e copos de vodka,  um copo de sumo e uma garrafa de água . A noite pede que leves contigo a melhor companhia que consigas, que tenhas tudo planeado para poder sair tudo furado e ser melhor ainda do que tinhas pensado. Pede que  dances sozinho, ou em em cima de uma coluna com desconhecidos ao teu lado, ou até no meio da pista rodeado de gente por todos os lados, com encontrões propositados ou para furar o caminho impossível de encontrar no meio daquela enorme quantidade de actores sem contracto ali concentrado. Pede que não te vires para dar um estalo aquele que do nada resolve por as mãos na tua cintura e dançar contigo, mas que dances também que te abanes da cabeça aos pés, e vás tão longe como as ondas sonoras. A noite pede que te deixes levar, que comeces a dançar perto de alguém por acaso e que acabes oficialmente numa dança corpo a corpo, ficando por aí ou deixando escapar um ou outro beijo. A noite permite que te transformes. A noite pede que dês de caras com quem não tens intenções de ver, mas que sigas em frente como se, de mais um desconhecido se tratasse. Pede que observes e sejas observado. Pede que te divirtas e deixes as vergonhas de lado, pede que sejas o teu outro "eu".  A noite pede que sejas consciente no meio da tua própria inconsciência. Pede que arrisques, te ponhas a prova e pises a linha. Pede que faças o que tens a fazer, que aproveites o momento e que no dia seguinte penses que foi a melhor noite que já passas-te, sem te questionares com porquês. Pede que surpreendas e sejas surpreendido. A noite suplica entre gritos surdos, que vivas e não que fiques a ver viver. A noite pede que o tempo pare e que não seja dia.

20 fevereiro, 2011

Just keep going


E eu continuo a dizer que a vida é feita de etapas. Etapas essas que têm de ser vividas, cada uma a seu tempo, sem poder-mos ficar presos a uma delas para sempre. Porque ao contrário do que possamos pensar, perdemos com isso em vez de ganhar. O avanço de cada uma dessas etapas implica a mudança e deixar certas coisas para trás para começar outras novas. Nem melhores nem piores que as antigas, simplesmente diferentes. É tal e qual quando jogamos alguma coisa e só queremos passar de nível. E ficamos felizes com isso e não a chorar pelos cantos como muitas vezes fazemos com a nossa vida. Ela anda para a frente, só para a frente  e nunca para trás porque o tempo passa e não perdoa. jamais volta atrás. Há pessoas, há momentos, e características de determinados lugares e por isso, existem a memória e o coração para guardarem todas essas coisas porque por mais que achemos que não, elas ficam sempre lá e não há tempo que possa destruir isso. Nada dura sempre, mas também não se perde totalmente. Tudo o que foi verdadeiro, intenso, o que nos ensinou , nos obrigou a errar , a amar , a magoar e a perdoar, fica para sempre no nosso ser. Porque entre outras coisas a memória é dos melhores tessouros de alguém, as coisas têm a importância que cada um de nós lhes atribuí. Tudo passa, tudo. Mudanças é bom, eu quero uma e grande .

19 fevereiro, 2011

A loucura da loucura

Como muitas outras inúmeras coisas, a loucura é só mais uma das que faz parte da categoria do relativo. Já vi pessoas fazerem coisas que eu não faria, chamando-lhes loucas. Já deixei de fazer muitas outras coisas por ter essa mesma ideia. Já vi outros, pegarem na minha ideia e executarem-na por para eles parecer extremamente normal. A linha que separa a loucura da normalidade, foi estabelecida por um alguém que nunca ninguém viu, mas que nos envolve todos os dias. Alguém que vale acima de tudo o resto. Alguém esse que falou mais alto que todos e se fez ouvir por toda a parte, atingindo grande parte dos seus ouvintes, que sem saberem porquê seguem o melhor que podem, aquilo que por acaso lhes chegou aos ouvidos. Se por distracção ou impulso um dia pisam a dita linha, acham-se ou acabaram mesmo por ser classificados de loucos. O certo, é que nem todos o ouviram, ou se ouviram muitos fazem questão de ignorar o que surgiu pelo ar e  fazer tudo ao contrário do que estava estabelecido.
E agora quem será mais louco? Aquele que saí de casa horas antes do acontecimento ou aquele que saí em cima da hora e vai a correr para lá chegar. O que usa o relógio no pulso todos os dias ou aquele que segue ao sabor do vento. O que dorme para sonhar ou o que sonha acordado. O que espera um dia conseguir voar com um pássaro livre pela Primavera fora ou o que voa dia após dias, por muito que seja em redor de sonhos e pensamentos que nunca serão divulgados? O que luta por um futuro indo buscar forças não se sabe muito bem onde ou aquele que desiste por achar que já mais irá conseguir. O que se senta à espera de se reconhecido ou aquele que se faz conhecer sem saber o que o espera. O que despeja o lixo todos os dias ou aquele que evita fazer lixo para não ter que o despejar. Aquele que compra um maço de tabaco ou o que vai pedindo cigarros a um e a outro só para não gastar dinheiro? O que se deita cedo para poder descansar ou aquele que se deita tarde e dorme uma tarde inteira. O que presisite mesmo com risco de perder tudo ou o que não arrisca por medo do mesmo. Será mais louco o que toma banho no Verão para se refrescar ou o que toma  banho no Inverno para se aquecer? O que vive rodeado de gente vivendo a sua liberdade ou o que se refugia sozinho achando-se livre também. O que se enrola na toalha antes do banho ou o que só o faz depois. O que abre as persianas de manhã para ser iluminado pela luz do sol ou que as abre durante a noite para dormir com sob a luz do luar?  O que come a sobremesa no fim da refeição ou aquele que começa a sua por ela. Aquele busca incesantemente a felicidade ou aquele que deixa o seu amor partir por não valer insistir em algo sem futuro deixando assim dois caminhos abertos para uma felicidade em vez de um único infeliz?
A Loucura e a dita normalidade, dois mundos distintos integrados num só ou um mundo dentro de mundos. Mundos esses criados por cada um de nós. Seremos nós todos normais rodeados por uma pequena quantidade de loucos. Ou seremos todos loucos rodeados por uma pequena quantidade de normais? Como é louca a loucura daquele a que chamam louco.

15 fevereiro, 2011

Contracto de um coração

Orgão pequenino e vital, susceptível de ser afectado por setas do cupido, iludido e magoado. Pequeno mas enorme em simultâneo, cabe lá um mundo, e mais houvesse. Sente coisas que não se explicam, e é extremamente difícil de lutar contra ele. Torna tudo mais difícil quando resolve entrar em confrontos directos com aquele membro do corpo que muitos não perdem, só porque anda agarrado ao pescoço. vamos fazer assim, podes vir mas temos coisas a acertar primeiro:

- Coração que é coração, serve primeiro que tudo para nos manter vivos. Como tal, estás proibido de matar o meu.
- Transporta uma vida consigo, e une várias ao longo dos tempos. Alguns permanecem mais que outros é verdade, mas cada um tem o seu cantinho guardado, sempre.
- Tendo em conta que nasceu para amar e ser amado, só tens autorização de o tomar em tuas mãos se assim for, caso contrário é melhor desistir já.
- Não se responsabiliza por fazer crescer sentimentos, por mais que eles não devessem existir. Portanto, se pessoas se apaixonam e desapaixonam, amam e deixam de amar a culpa pode ser de qualquer um dos protagonistas da história, menos dele.
- Tem por hábito bater acelerado em situações que acabam por nos deixar sem jeito fazendo sentir-se na barriga com aquelas tradicionais "borboletas". Principalmente no abraço daquele alguém, ou na ansiedade de o voltar a ver. Bom é, quando os dois órgãos vitais se juntam a bater em simultâneo como se grandes conversas estivessem a ter um com o outro.
- Quando o magoam, perde vitalidade. A pouco e pouco perde alguma da sua vontade de viver, passando isso para aquele que o carrega. Trazendo na maioria das vezes consigo, o medo de um novo amor.
- É pequeno e está colocado num ponto estratégico, difícil de lá chegar. Mas quando chega, já não dá para escapar dele. Seja bom ou mau, queiramos fugir ou reforgiarmo-nos por lá. Uma vez agarrados por um coração, para sempre agarrados a ele.
- Tem coisas intresantissímas, como a sua capacidade extraordinária de numa questão de segundos poder estar super quietinho sem nos darmos conta da sua existência e logo asseguir está eufórico e pouco falta para nos saltar pela boca.
- Já por si tem muitas e muitas maneiras de mostrar o que vai lá dentro. Pode ser a coisa mais simples e mais complicada que alguém pode ter a funcionar no seu próprio organismo.
- É o orgão mais leve e em simultâneo o mais pesado, pois seja no fundo ou na superfície, dentro ou em redor dele, é defenitivamente para além de indispensável, aquilo que trás mais de nós. Carrega marcas do passado, pisadas do presente e sonhos do futuro.
- Consegue estar a nosso favor e totalmente contra nós. Faz-nos ser feliz e fazer as melhores coisas do mundo e consegue também, levar-nos a fazer coisas que não são necessariamante más, só não tinham que acontecer.
- Pode ao longo da vida acertar em alguns corações alheios, e com isso acaba a sua vida muitas vezes bastante amachucado, completamente colado com pedaços de fita-cola. Mas como resistente que é, luta até à última para encontrar o orgão vital, igual a ele que se vai encaixar perfeitamente, mesmo com todas as amolgadelas que já fazem parte de ambos, acabando por se completar, tornando-se mais fortes do que alguma vez alguém pensou, compensando todos os buracos que até à data tinham surgido.
- Como tudo na vida tem prós e contras, tudo o que o afecta quer entre directamente com ele ou não faz de cada um de nós aquilo que um dia nos vamos tornar. Aquilo que a pouco e pouco vamos construindo, seja visível aos outros ou apenas visível por nós.

Claúsula de rescisão: a) Aguentar um coração sozinho e magoado. b) Perder muito de um outro alguém. c) Não aguentar as saudades do antigo conforto, mas mesmo assim não poder voltar atrás. d) Correr o risco de perder o coração que podia ser aquele que encaixava perfeitamente, mesmo sem dar conta. E talvez achando que não. e) Deixar tudo escapar entre os dedos como grãos de areia, em vão. f) Ter que ajustar contas com um coração partido, que pode muito bem ser pior que uma tempestade que chega sem aviso, e leva tudo á sua frente. Não deixando nada em seu redor.
Ps: Aceitas todos os riscos?