
Era a primeira vez que se viam, alguém fez questão de os apresentar. As horas foram passando, ela confessa que no meio da noite ainda espreitou naquele espaço enorme para ver se o via. E viu, mas não chegou nem lá perto. Sem saber como nem porquê acabou por esbarrar com ele mais uma vez, mas naquele momento ficou e não saiu mais dali, sentia-se bem na sua companhia e já não precisava olhar a sua volta de cinco em cinco minutos à sua procura, ele estava à sua frente. A conversa estava boa, o ambiente era estranho. Ela não fazia parte dali, mas ele compensou tudo isso. Quando deu por si tinha sido raptada por aquele conhecido desconhecido que se encontrava a seu lado naquele momento, naquele lugar. No entrelaçar dos seus dedos encontrou a certeza de o querer para si, mesmo que ali fosse. Já não via nada a sua volta , era como se o conhecesse desde sempre. As suas palavras tinham sido caladas com um beijo que se soltou de um momento para o outro. Apoderaram-se um do outro numa fracção de segundos. Deixaram-se levar como se de duas penas levadas pelo vento, numa brisa fresca de Verão se tratassem. O tempo continuou a correr, não parou, por muito que lhe tivesse parecido, ou que quisesse que sim. Não se sentiam corações bater, só o frio fazia questão de assinalar a sua presença. Quando deu por si estava envolvida no abraço mais quente que alguma vez tinha sentido, sentia-se pequena a seu lado, mas mais protegida que nunca. O seu respirar fazia-a acreditar que ele estava mesmo ali, era como a suave melodia que entrava no seu ouvido e ecoava no seu peito. O dia foi nascendo, era a única coisa que podiam ver. Eram eles e a claridade a aparecer em seu redor. Não procurava um príncipe, mas foi tratada como uma princesa. Não sabe dizer o que sentia ali, não sabe dizer como lá foi parar. Sabe que foi e será uma das suas melhores noites, era suavemente violenta a envolvência que juntos criaram como duas forças que se atraíem. Se pudesse ainda hoje lá estava. Assegura que sim. Por agora, espera o dia em que vai poder voltar a estar nos braços daquele alguém.